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« Tínhamos apenas 72 horas até ao colapso total!! » Nunca vou esquecer aquele momento. Nem o olhar do meu marido. Chamo-me Andreea. Tenho 36 anos, vivo em Lisboa com a minha filha Mia, de 8 anos, e o meu marido Daniel. O Daniel trabalha na construção. Trabalho físico pesado, a sério. Todos os dias. Chega a casa em silêncio total, completamente esgotado. Eu passei sete anos a trabalhar como caixa num Continente. Sempre o mesmo turno, as mesmas caras, o tapete rolante a avançar sem parar. Há um ano, o gerente reuniu-nos a todos. Anúncio: a loja ia passar completamente para self-service. Despedimento de 40% do pessoal. O meu nome estava na lista. Sete anos. Reduzidos a uma linha numa folha de Excel. Eu sabia que encontrar outro emprego ia ser difícil — há imensa gente à procura e quase não há vagas. Mas nunca imaginei que se ia arrastar tanto tempo. Currículos enviados. Entrevistas. « Vamos manter os seus dados. » Aceitei todos os biscates possíveis — limpezas, turnos temporários na mercearia do bairro. Só para conseguir algum dinheiro. Entretanto, a vida não parava. Depois de sete anos na caixa, vi os preços a subir semana após semana. Mas uma coisa é passar as compras dos outros… outra bem diferente é sentar-me e contar as minhas. Comida, contas da luz, água, material escolar da Mia… tudo a subir enquanto os nossos rendimentos desciam. Depois avariou o carro. Sem ele, o Daniel não conseguia ir para a obra. Fatura da oficina: 1 400 €. Não tínhamos esse dinheiro. Tivemos de nos endividar. Depois a prestação da casa. 950 € por mês. Antes pagávamos aquilo sem nem pensar. A primeira prestação em atraso pareceu temporária. Pensei que no mês seguinte recuperava. Mas o mês seguinte foi ainda pior. Dez meses de atraso. O banco cobrava juros todos os dias, mais multas por atraso. Depois vieram os honorários de advogados e as custas judiciais… tudo se somava automaticamente. O que começou com duas ou três prestações em falta transformou-se num monstro. Dívida principal: cerca d