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🛑 Restavam-me apenas 55 € na conta. A carrinha estava parada na oficina, a reparação custava mais de 3.200 € e as chamadas dos cobradores já eram quase diárias. Foi nessa noite que tudo mudou. Tenho 36 anos e vivo nos arredores do Porto. Trabalho na construção civil há quase dez anos, maioritariamente através de subempreitadas. O dinheiro chegava para viver, mas pouco mais. Nos meses bons ganhava entre 1.500 € e 1.800 € líquidos, quando havia trabalho suficiente. A minha companheira tinha deixado de trabalhar temporariamente depois do nascimento da nossa filha. Achávamos que conseguiríamos aguentar alguns meses sem grandes dificuldades. Mas depois tudo começou a correr mal. O inverno de 2025 foi um desastre. Chuva atrás de chuva. Obras canceladas. Pagamentos atrasados. A empresa para a qual trabalhava há vários meses começou a adiar os pagamentos. Ao início falavam em problemas temporários de tesouraria. Uma semana transformou-se em duas. Duas semanas passaram a um mês. E um mês quase se tornou dois. Quando se vive sozinho já é complicado. Quando se tem uma família para sustentar, torna-se um pesadelo. Como se não bastasse, o senhorio aumentou a renda em mais 120 € por mês. Começámos a cortar em tudo. Menos saídas. Menos aquecimento. Menos gastos desnecessários. Até algumas coisas que antes considerávamos normais deixaram de ser prioridade. Cada semana parecia mais difícil do que a anterior. E depois veio o golpe final. A minha carrinha avariou. Embraiagem. Caixa de velocidades. A oficina apresentou um orçamento superior a 3.200 €. Sem a carrinha, eu praticamente não conseguia trabalhar. Não conseguia transportar ferramentas. Não conseguia aceitar certos trabalhos. Cada dia que passava representava dinheiro perdido. Ao início sobrevivi com o cartão de crédito. Depois veio o descoberto. Mais tarde tive de pedir um empréstimo. Convencia-me a mim próprio: "Arranjo a carrinha, volto ao trabalho e resolvo tudo rapidamente." Mas não foi