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🚨"Chamo-me Martim. Tenho 38 anos. Vivo em Portugal. Trabalho como pintor há mais de treze anos." Nos meses bons ganhava entre 1.400 e 1.800 euros, se trabalhasse sem parar e fizesse horas extra. Mas agora esses meses bons são cada vez mais raros, caralho. Há três meses, numa obra nova, humilharam-me como nunca na vida. Toda a brigada — oito pessoas. Chega o Tomás com o seu BMW novo e preto a brilhar. Dá uma volta pela obra, para mesmo à nossa frente e começa a gritar comigo: — Miguel, olha para esta parede. Quem te ensinou a pintar? Trabalhas mais devagar do que a minha avó. As arestas estão tortas, há marcas por todo o lado. E ainda queres 18 euros por metro quadrado? Estás maluco ou quê? Queres um bónus por seres o mais lento de toda a obra? Toda a gente olha. Alguns baixam a cabeça, outros riem por baixo. Tinha tanta vergonha que não conseguia levantar os olhos. Olhava para o chão, para o soalho que outros tinham posto na semana anterior. Não disse nada. O que é que podia dizer, irmão? Sentia-me o maior idiota de toda aquela obra. Tenho uma mulher, a Sara. Trabalhava no Lidl, 25 horas por semana, ganhava uns 800-950 euros. Mas fecharam o supermercado para obras de remodelação e durante dois meses ela ficou sem rendimentos. O dinheiro desapareceu de imediato. Depois avariou-se a nossa carrinha. A caixa de velocidades. Reparação: 1.890 euros. Ligo ao Tomás para lhe pedir pelo menos um adiantamento ou que me emprestasse uma carrinha da empresa por uma semana. Responde de forma cortante: — Problemas teus, Miguel. Não sou o teu táxi. Tive de pedir um empréstimo de 1.890 euros com juros altos. Sem carrinha na construção não és nada. Ninguém quer um pintor sem escada, sem rolos e sem carro. Antes disto já devia uns 8.400 euros no total. O cartão de crédito quase no limite — uns 3.600. O descoberto quase 750. Uns 850 euros que pedi emprestados a dois colegas de trabalho quando a Sara ficou sem trabalho. E outros 3.200 que fui acumulando nos últimos meses — co