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« Senhor Matos, tem 72 horas » Lembro-me do momento exato em que a minha vida mudou. Chamo-me Diogo Matos. Tenho 38 anos. Vivo em Lisboa, na zona de Alvalade, com a minha mulher Sara e os nossos dois filhos — a Leonor, e o Tomás. A Sara e eu chegámos a Lisboa há 10 anos, vindos de Évora, uma pequena cidade no sul de Portugal. Chegámos com duas malas e a esperança de que tudo correria bem. No início, trabalhámos em armazéns, limpezas, entregas — o que fosse preciso para nos estabelecermos. Passados três anos, percebemos que não íamos voltar. Então, há 7 anos, decidimos comprar um apartamento. Um apartamento pequeno em Alvalade. 235.000 euros. A entrada foi modesta, e a prestação mensal era de cerca de 1.150 euros. Era difícil, mas conseguíamos. Eu trabalhava como administrativo numa pequena empresa de logística. A Sara era assistente numa loja de roupa. Tudo corria bem. Até que tudo desabou. No início de 2025, a minha empresa anunciou despedimentos. Fiquei desempregado. Os prime