Mais de 35.000€ em dívidas. Avisos de cobrança vermelhos a cobrir a mesa da minha cozinha. E apenas vinte euros na minha conta bancária. Se alguma vez passaste por dificuldades financeiras, se já te sentiste completamente sufocada pelas dívidas, ou se já te perguntaste como ias dar de comer aos teus filhos e aguentar mais um dia, sabes perfeitamente o pesadelo em que eu estava a viver. O meu nome é Alice, vivo em Portugal, e nos últimos dois anos eu não estava a viver. Estava lentamente a afogar-me. A minha vida era uma autêntica prisão emocional. O meu marido abandonou-nos, deixando-me de coração partido e completamente sozinha. Empresas de cobrança ligavam-me todos os dias, a exigir dinheiro que eu simplesmente não tinha. Cartas a avisar sobre penhoras de bens e processos judiciais chegavam quase todas as manhãs. Cartões de crédito no limite, um saldo negativo do qual não conseguia sair e a renda que não parava de subir. Empenhei o anel da minha falecida mãe e aceitei todos os turnos de horas extraordinárias que consegui. Trabalhava 70 horas por semana em dois empregos desgastantes como mãe solteira. Turnos da noite. Fins de semana. Mal dormia 3 horas por noite. A dar o litro e a dar cabo da minha saúde só para manter um teto sobre as nossas cabeças. E mesmo assim, depois de pagar a renda, as despesas de luz, água e outras despesas, mal sobrava um único euro para fazer as compras básicas do mês. Estava constantemente a saltar refeições e a ir para a cama com fome, só para o meu filho de 6 anos ter o material e o fato de treino em condições para a escola. Enquanto toda a gente da minha idade parecia estar a aproveitar a vida, a criar memórias em família, a sair com amigos e a jantar fora... Eu estava a juntar os cacos de um coração partido, a contar cada cêntimo, e a perguntar-me como ia sustentar o meu menino e passar a semana sozinha. Não tinha poupanças nenhumas para me apoiar. Sem rede de segurança. Sem família que me pudesse emprestar um cêntimo. Ape