**ESTA PUTA ESTAVA A TRAIR-ME**
**ESTA PUTA ESTAVA A TRAIR-ME** Tenho 43 anos. Sou casado há 14 anos. E há três semanas tinha a certeza absoluta de que a minha mulher me estava a trair. Não «talvez». Não «tinha algumas suspeitas». Eu tinha a certeza. Eu e a Mariana Martin vivemos em Óbidos. Somos uma família perfeitamente normal: eu trabalho como técnico de manutenção de edifícios e ela é administrativa numa pequena clínica privada. Temos uma filha de 11 anos. No último mês, a Mariana começou a comportar-se de maneira diferente. Quase sempre deixava o telemóvel virado para baixo. Quando alguém lhe ligava à noite, às vezes ia para a varanda. Duas vezes disse-me que ia ficar até mais tarde no trabalho, coisa que antes quase nunca acontecia. Eu reparava em tudo. Mas não dizia nada. Provavelmente porque tinha medo de ouvir a resposta. Até que, uma noite, ela foi tomar banho e deixou o telemóvel em cima da cama. O ecrã acendeu-se. Eu nem sequer estava a pensar em pegar no telemóvel. Simplesmente vi uma mensagem de um tal Miguel: «Amanhã às 19:00. Não digas nada ao teu marido.» Fiquei sentado a olhar para aquelas palavras durante uns vinte segundos. Depois pus o telemóvel exatamente onde estava. Quando a Mariana saiu da casa de banho, não disse nada. Dez minutos depois, ela já estava a dormir. E eu não consegui adormecer até às três da manhã, a pensar numa única coisa: «Esta puta está a trair-me.» No dia seguinte, de propósito, mandei-lhe uma mensagem a dizer que ia ficar até mais tarde no trabalho e que não voltava para casa antes das nove da noite. Às 18:30 já estava estacionado do outro lado da rua, em frente à clínica. Às 19:05, a Mariana saiu. Poucos minutos depois apareceu um Mercedes cinzento. Ao volante estava um homem mais ou menos da nossa idade. Ela entrou no carro. Eu fui atrás deles. Pararam junto a um pequeno café. Estacionei mais longe e fiquei cerca de vinte minutos dentro do carro, a sentir-me um completo idiota. Quando saíram, o homem abraçou-a. Para mim