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💔😤 29 EUROS NO CARTÃO, O FILHO COM TÉNIS VELHOS E A CAIXA DO PINGO DOCE QUE DISSE BAIXINHO: 'TRANSAÇÃO RECUSADA'" Pensei muito se devia escrever isto. Porque ainda tenho vergonha de me lembrar daquela noite. Chamo-me Odília Abrantes. Tenho 33 anos, vivo em Lisboa, na zona de Alvalade, e crio o meu filho sozinha. Chama-se Leo. Tem oito anos. Para os turistas, Lisboa é o Castelo de São Jorge, os eléctricos, as ruas bonitas, o café na esplanada e as fotos em frente aos edifícios antigos. Mas para mim Lisboa é o autocarro que volta a atrasar-se. A renda que come metade do salário. As filas no supermercado depois do trabalho. E o medo constante de que o meu filho peça algo normal e eu tenha de dizer outra vez: — Hoje não, amor. Para a próxima. Trabalho como vendedora numa loja de roupa perto do Marquês de Pombal. Não é uma boutique. Uma loja normal. Dobro t-shirts, penduro casacos, arrumo os provadores depois dos clientes, sorrio quando por dentro já estou vazia. O meu salário é 1.280 euros