Inês Pereira — крутилось 2 дн, охват 3k

Inês Pereira с 2026-04-08 · картинка · 🇵🇹 португальский
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O meu nome é Inês. Tenho 31 anos. Moro em Lisboa, na Amadora. Alugo um quarto. Não um apartamento — um quarto. Numa casa com três pessoas que não conheço. Trabalho na caixa do Pingo Doce. A loja é na esquina. Abre às 7 da manhã e fecha às 10 da noite. Eu faço o turno da tarde. Das 2 às 10. Às vezes até ao fecho, se alguém faltar. €6.20 por hora. Depois dos descontos, dá cerca de €950 por mês. Parece bem? Não é bem. Vê as contas. Quarto: €450 (com despesas, mas sem internet)�IMI e contas: €80�Net e telemóvel: €40�Transporte: €45 (passe do metro e autocarro)�Comida: €200 (quase não como carne — é cara)�Subscrições: €10 (Netflix — é o único luxo)�Roupa e sapatos: €20 (em lojas de segunda mão)�Remédios: €10�Imprevistos: €30 Sobra: €265. Parece que €265 é dinheiro. Mas não é. Porque €265 é o que tem de dar para tudo o que me esqueci. E para o que acontece amanhã. E amanhã acontece sempre. Moro sozinha há três anos. Desde que eu e o Dan acabámos. Ele era normal. Não batia. Não gritava. Só deixou de me ver. Eu era como o frigorífico — existia, mas ninguém reparava. Fui eu que saí. Desde aí, estou sozinha. Quando chego a casa, são 10 e meia da noite. O prédio é velho. As portas rangem. Os meus vizinhos — uns gajos que querem lá saber. Metem música aos altos às 2 da manhã. Não me queixo — tenho medo que me odeiem. E não tenho para onde ir. Entro no meu quarto. 9 metros quadrados. Cama, armário, mesa. Em cima da mesa, um portátil de 2017 que demora cinco minutos a ligar-se. Sento-me na cama. Tiro o uniforme do Pingo Doce — a t-shirt verde, as calças pretas. Ponho em cima da cadeira. Amanhã visto outra vez. Ligo o jarro. Bebo chá sem açúcar. Olho para a parede. E penso. Penso que tenho 31 anos. Que não tenho poupanças. Que se o portátil se estragar, não consigo comprar outro. Que se ficar doente e faltar três dias, não pago o quarto. Que se a senhoria quiser aumentar a renda, não tenho para onde ir. Tenho medo. Não é um medo alto. Não é pânico. É um medo pegajoso. Que f

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