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🔴 9 anos em obras pela Europa — e só dívidas 🔴 Chamo-me Miguel Santos, tenho 38 anos. Sou de uma pequena cidade perto de Coimbra. Com 29 anos tirei um crédito e fui trabalhar na construção na Alemanha. Pensava que ia ser só 3-4 anos, voltava, terminava a casa e finalmente vivia uma vida normal com a família. Agora já vai no nono ano. Cada dia meu é igual: 5:30 — acordo 6:15 — na carrinha para a obra 7:00–19:00 — betão, armadura, tijolo, reboco No verão +38 à sombra, no inverno frio e vento que corta até aos ossos. Sempre em altura, em andaimes, de joelhos, com blocos pesados ao colo. Pó nos pulmões, cimento entranhado nas mãos, costas e joelhos a doer já ao almoço. À noite caio no contentor ou no alojamento, como o que aparece e só penso em dormir. O salário dá 2400–2700 € num bom mês. Mas metade vai para a renda do quarto, comida e viagens. O resto envio para casa à mulher e às duas filhas. Poupanças quase zero. O crédito para os materiais da casa em Portugal ainda está a ser pago, e os juros acumularam-se. A casa está por acabar há seis anos. Este ano deram-me 20 dias de férias. Voltei finalmente a Portugal. Abracei a mulher e as meninas, olhei para a casa inacabada… e senti um aperto no peito. O telhado ainda não tem cobertura, as paredes estão húmidas, e as crianças estão a crescer e perguntam quando é que o pai vai finalmente ficar em casa. No quarto dia peguei no carro velho e fui só dar uma volta. Parei numa bomba de gasolina perto de Coimbra, comprei um café, sentei-me no carro e comecei a scrollar o telemóvel. Vejo um anúncio do Nilton. Com aquela energia dele a dizer que a Revolut lançou uma nova aplicação separada — Revolut Slots. Primeiro sorri: „Até o Nilton anda a fazer publicidade a slots…” Fechei. Um minuto depois o anúncio apareceu outra vez. Pensei: „Já tenho dívidas que cheguem…” — mas a curiosidade venceu. Baixei a Revolut Slots. Enquanto estava parado, ao lado parou um gajo mais ou menos da minha idade. Também português da construção. Começámos