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Eu me mudei de Portugal para a Suíça pensando que minha vida mudaria em um ano… mas nos primeiros anos eu apenas sobrevivia. Para ser honesto, foi exatamente assim que me contaram. “Vai para lá, trabalha alguns anos, junta dinheiro e começa uma nova vida.” Eu tinha 26 anos na época. Eu morava em uma pequena cidade perto de Braga. Minha família estava por perto, amigos, ruas conhecidas, almoços de domingo em família. Mas dentro de mim havia uma sensação de que, se eu ficasse, minha vida seria sempre a mesma: trabalho, salário pequeno, contas e aquela sensação constante de que você está parado no mesmo lugar. Então eu fui embora. Duas malas, um pouco de dinheiro guardado e expectativas muito grandes. Ainda lembro da manhã em que parti. Minha mãe preparou o café da manhã, mas quase não comeu. Apenas ficou sentada na minha frente me olhando. Meu pai disse apenas uma frase: Trabalhe e não desista. Então tudo vai dar certo. Meu pai trabalhou a vida inteira na construção. Ele acordava antes do amanhecer e voltava para casa cansado, mas nunca reclamava. Ele tinha um pequeno sonho — gostava muito de carros. Quando eu era criança, aos domingos às vezes passeávamos pela cidade, e ele sempre parava em frente a uma concessionária. Lá havia um carro para o qual ele sempre olhava por mais tempo: um BMW 520d azul-escuro. Uma vez eu perguntei: Pai, você gosta tanto desse carro? Ele sorriu e disse: Muito… mas esses carros não são para pessoas como nós. Eu ainda era adolescente, mas essa frase ficou na minha cabeça. Quando fui para a Suíça, prometi uma coisa a mim mesmo: um dia eu faria com que meu pai nunca mais dissesse essas palavras. Quando cheguei à Suíça, a realidade foi completamente diferente. O primeiro choque foi a moradia. Os preços aqui são tão altos que no começo eu nem podia pagar um pequeno apartamento. Então eu morava com outros portugueses. Éramos seis pessoas: três quartos pequenos, um banheiro e uma cozinha pequena. Toda manhã parecia igual: fila para o