Link nos comentários 👇
Pessoal… Não sei bem por onde começar. Estive dias a adiar isto. Mas preciso mesmo de partilhar. Chamo-me Beatriz, tenho 31 anos e vivo em Lisboa. Trabalho como operadora de caixa no Pingo Doce. Divido um pequeno apartamento com a minha amiga Margarida. O meu salário é de cerca de 850€ por mês. 450€ vão logo para a renda, depois as contas, as compras… A partir do dia 20 já estou a contar moedas e a comer o que a Margarida deixou no frigorífico. Há cinco meses o meu pai precisou de um aparelho auditivo. Um a sério, não aquele plástico descartável. Pedi um crédito de 2.600€. Não hesitei. É o meu pai. Agora pago 115€ por mês e depois de tudo isso ficam-me cerca de 120€ para o resto. A Margarida diz sempre: «Beatriz, assim não dá. Tens de arranjar outra coisa.» E eu encolho os ombros e respondo: «Outra coisa o quê? Só sei passar artigos e sorrir quando o cartão não passa.» E então chegou aquela segunda-feira. Turno da tarde. Lá fora a chuva não dava tréguas, o supermercado estava quase vazio — com este tempo as pessoas ficam em casa — e eu já ia no piloto automático há horas. Os pés a latejar desde o almoço. Os pensamentos a zero. Estava a passar o próximo artigo quando vi pelo canto do olho um cliente a aproximar-se da minha caixa. Levantei os olhos. Casaco escuro, simples. Boné puxado quase até às sobrancelhas. Na passadeira: leite, pão, sumo e uma embalagem de bolachas. Sorri por hábito: «Boa tarde! Encontrou tudo o que precisava?» Ele tirou o boné e passou a mão pelo cabelo. Fiquei literalmente sem conseguir respirar. Bernardo Sousa. Sozinho. Sem ninguém. Só com as bolachas e o leite na caixa do Pingo Doce. A Margarida estava na caixa ao lado e ficou pregada nele — por pouco não se esqueceu de fechar a gaveta do dinheiro. «Tu… tu és o Bernardo Sousa, pois és?», consegui dizer. Ele sorriu de orelha a orelha: «Sou sim! Já agora — têm umas bolachas aqui que são uma maravilha, a sério.» «Posso tirar uma foto contigo?», perguntei. «Claro que sim», r