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Rui Ferreira с 2026-10-14 · картинка · 🇵🇹 португальский
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GINJA CASINO — EU JÁ TINHA O DINHEIRO PARA PAGAR O PRIMEIRO SEMESTRE DA MINHA FILHA. E EM TRINTA E CINCO MINUTOS FUI EU PRÓPRIO QUE O PERDI.

Chamo-me Rui Ferreira. Tenho 49 anos. Vivo perto de Alcabideche, no concelho de Cascais, e trabalho como mecânico de automóveis há vinte e seis anos. Não tenho uma grande oficina minha, com uma fachada bonita e seis elevadores. Trabalho numa pequena oficina não muito longe da EN9. Três elevadores. Um compressor velho. Armários metálicos cheios de ferramentas. E uma máquina de café que, na minha opinião, faz um dos piores expressos de Portugal. Passei grande parte da minha vida a reparar carros de pessoas que não têm dinheiro para comprar outros. Embraiagens. Suspensões. Travões. Juntas da cabeça. Motores de arranque. Caixas de velocidades. Consigo ouvir um rolamento de roda gasto antes de o carro entrar no elevador. Mas há coisas que não se conseguem reparar com uma chave inglesa. A minha filha Sofia tem dezoito anos. Sempre quis ser fisioterapeuta. Não apenas nos últimos anos. Sempre. Desde pequena dizia que queria seguir os passos da mãe. A mãe dela era fisioterapeuta. As outras crianças mudavam de sonho todas as semanas. Veterinária. Professora. Atriz. A Sofia nunca mudou a resposta. Fisioterapia. Por isso, não fiquei surpreendido quando me disse que queria candidatar-se à Escola Superior de Saúde do Alcoitão — ESSAlcoitão. O que me assustou foram os números. Nunca fomos tão pobres que faltasse comida em casa. Mas quase todos os meses acabavam da mesma maneira. Renda. Eletricidade. Água. Seguro. Combustível. Comida. E depois começávamos a contar os euros que faltavam até ao próximo salário. Se a máquina de lavar roupa avariava, era um problema. Se o meu carro precisava de quatro pneus novos ao mesmo tempo, eu trocava dois e esperava que os outros aguentassem mais um mês. A duas casas da nossa vivia um homem chamado Nuno Carvalho. Conhecia-o havia uns doze anos. Embora “conhecia” talvez seja uma palavra demasiado forte. Em doze anos, duvido que alguma vez tivéssemos falado mais de dez minutos seguidos. O Nuno era fechado e pouco comunicativo. Não era mau. Simplesm

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