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« Senhora Matos, tem 72 horas. » Lembro-me do momento exato em que tudo desabou por completo. Chamo-me Inês Matos. Tenho 37 anos. Vivo em Lisboa, na zona de Alvalade, com o meu marido Hugo e os nossos dois filhos, a Leonor, e o Tomás. O Hugo e eu chegámos a Lisboa há 10 anos, vindos de Évora. Chegámos com duas malas e a esperança de que, de alguma forma, tudo iria correr bem. No início, trabalhávamos no que aparecia: limpezas, armazéns, entregas. Tudo o que fosse preciso para conseguirmos seguir em frente. Ao fim de três anos, finalmente conseguimos estabilizar. Arranjei trabalho como administrativa numa clínica médica, e o Hugo começou a trabalhar como estafeta. Tínhamos uma vida boa e estável. E então, há 7 anos, decidimos comprar um apartamento. Um pequeno T2 em Alvalade por 189.000 euros. A entrada foi pequena, por isso a prestação mensal ficou em cerca de 920 euros. Era um pouco apertado, mas conseguíamos. Foi assim que vivemos. Até ao verão de 2025. Em junho, a clínica anu