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Os clientes já me estão a f*der a cabeça. Mas este casal levou-me mesmo a um verdadeiro ataque de nervos. 😡 Chamo-me Javier García. Tenho 29 anos, vivo perto de Setúbal e trabalho como empregada de mesa num pequeno restaurante. Visto de fora, a minha vida parecia perfeitamente normal: turnos longos, bandejas, turistas e um sorriso para os clientes. Mas em casa esperava-me uma realidade completamente diferente, sobre a qual quase nunca falava com ninguém. Vivia com a minha mãe e com a minha avó. Há alguns anos, a saúde da minha avó piorou muito e ela passou a precisar de cuidados praticamente constantes. A minha mãe quase deixou de trabalhar porque tinha de estar sempre ao lado dela. Medicamentos, fraldas para adultos, resguardos, alimentação especial, exames, deslocações ao médico — pouco a pouco, todas essas despesas começaram a cair sobre mim. Na prática, o meu salário de empregada de mesa tornou-se o principal rendimento de três mulheres. O mais difícil era olhar para a minha mãe. Ela praticamente deixou de ter vida própria. Às vezes eu chegava a casa depois da meia-noite e ela ainda estava sentada ao lado da minha avó porque ela se sentia mal ou não conseguia dormir. E de manhã eu voltava novamente para o trabalho. Fazia turnos extra, substituía colegas e aceitava trabalhar praticamente sem folgas, mas mesmo assim às vezes o dinheiro não chegava nem para os medicamentos mais básicos e para os produtos de higiene de que a minha avó precisava. Naquela noite, o restaurante estava cheio. Já perto da hora de fechar, havia um casal de turistas mais velho numa das mesas. Levei-lhes água várias vezes, ajudei-os a escolher os pratos, troquei os talheres e fiquei a servi-los praticamente até ao fecho. A conta ficou bastante alta, por isso, para ser sincera, esperava pelo menos uma boa gorjeta. Ainda por cima, a minha mãe tinha acabado de me mandar mensagem a dizer que as fraldas da minha avó estavam a acabar e que de manhã era preciso comprar medicamentos. Quando ele