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Leia mais 👇 Nessa noite eu não fazia ideia de me despedir. Três horas depois disse ao gerente exatamente aquilo que passei sete anos a engolir. Se costuma ir ao mesmo cinema em Lisboa, é bem possível que já me tenha visto. Ricardo Mendes. 30 anos. Sete anos no mesmo sítio. Comecei como funcionário normal. Hoje ensino os novos, fecho turnos, resolvo problemas com clientes e trato de metade das confusões. A promoção é que está sempre “quase”. Um dia, antes de uma sessão tardia, apareceu um homem de uns quarenta anos. O bilhete não abria no telemóvel. Enquanto resolvíamos, começámos a falar. Chamava-se Nuno. A certa altura disse: “Sabes, há um ano deixei completamente de vir ao cinema.” Perguntei porquê. “Não tinha dinheiro.” Tinha um crédito pessoal. Pagava cerca de 1.200 € de renda. Devia dinheiro do carro e ainda tinha outros pagamentos. Depois do divórcio passou a viver sozinho e não conseguia aguentar tudo. Ficou uns quinze minutos a contar. Eu até deixei de olhar para a fila. Depois diz: “Até que um amigo me mostrou o Revolut Slots.” Comecei a rir. “E agora é milionário?” “Não. Mas paguei as dívidas.” Mostrou o telemóvel. Transferências. Movimentos. Eu continuava sem acreditar. Disse: “Trabalho há sete anos num cinema. Já ouvi muita coisa estranha depois de filmes. Isto entra no top.” Ele riu-se: “Experimenta agora.” “Estou a trabalhar.” “Então 25 euros e cinco minutos.” Não sei porque aceitei. Provavelmente porque ainda faltavam uns dez minutos para a sessão seguinte. Meti 25 € atrás do balcão. O Nuno ficou ali. Primeiro slot. Cinco jogadas. Nada. Ele: “Outro.” No segundo apareceu um bónus. Ao início eu só olhava de lado. Depois o valor ficou nos 1.400 €. Já começou a interessar. Depois 6.000 €. Pousei o rádio em cima do balcão. Nos 12.000 € já nenhum dos dois falava. Final: 24.180 € Olhei para o Nuno. Ele para mim. “O que foi isto?” Responde: “Aquilo em que não acreditavas há cinco minutos.” Pedi logo