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Quando vi 11 760 euros no ecrã, as mãos tremiam-me tanto que quase deixei cair o telemóvel. Mordi o lábio, fechei os olhos e voltei a abri-los — o valor continuava lá. Chamo-me Laura Martin, tenho 39 anos e vivo em Lisboa. Nos últimos seis anos, trabalhei a fazer limpezas em hotéis. Três turnos por semana, às vezes seis. Sem descanso suficiente, sem poder dar-me ao luxo de ficar doente, sem margem para falhar. Quartos de outras pessoas, camas de outras pessoas, toalhas sujas de outras pessoas. Lavava o chão, mudava os lençóis, limpava as casas de banho. Às vezes, chorava num quarto vazio, enquanto ninguém estava a ver. Chegava a casa tão exausta que quase não me restavam forças para conversar com os meus próprios filhos. Sou divorciada. O meu filho tem 14 anos e a minha filha, 16. O meu ex-marido paga a pensão de alimentos, mas mal chega para a roupa e o material escolar. Já nem me lembrava da última vez que tinha comprado alguma coisa para mim. Até beber um café numa esplanada s