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Luís Pereira с 2026-06-03 · картинка · 🇵🇹 португальский
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Sou um mau marido e pai por, aos 35 anos, ainda pedir dinheiro à minha mãe? Demorei muito tempo até conseguir escrever isto. Não porque a história seja bonita. Pelo contrário. Porque tenho vergonha. Chamo-me Luís Pereira, tenho 35 anos. Vivo em Portugal e trabalho na construção civil. Sou um trabalhador normal: carrego material, corto, furo, seguro, limpo… faço o que for preciso. Tenho uma mulher, a Ana. E dois filhos: o Tiago, de 9 anos, e a Inês, de 5. Sempre achei que aos 35 ia ter, pelo menos, uma vida estável. Não falo de ser rico. Nem de ter casa à beira-mar, carro novo ou férias todos os anos. Só uma vida normal. Chegar a casa depois do trabalho sem pensar se o dinheiro chega para as compras. A Ana não ter de contar cada cêntimo no Lidl. Os miúdos não perceberem que o pai está a fingir que está tudo controlado quando, por dentro, já se está a desfazer. Mas naquela noite eu estava sentado na cozinha a escrever à minha mãe: “Mãe, consegues emprestar-me 50 euros até sexta?” Escrevi. Apaguei. Escrevi outra vez. Voltei a apagar. Tenho 35 anos. Tenho família. Trabalho. Filhos. E estava ali, de noite, sem conseguir carregar em “enviar”, porque estava a pedir dinheiro à minha mãe, que passou a vida inteira a poupar. Foi aí que pensei pela primeira vez a sério: será que sou um mau marido e um mau pai? Não porque não trabalhe. Eu trabalho. E muito. Levanto-me cedo. Café à pressa. Obras ora no Porto, ora em Gaia, ora na Maia. O dia inteiro no meio de pó, madeira, gesso, barulho, escadas… as mãos cheias de cortes. Quando chego a casa, as costas parecem as de um homem de 60 anos, não de 35. A Ana também trabalha. Limpa quartos num hotel pequeno. Depois chega a casa e continua com os miúdos, a comida, a roupa, a escola. Eu vejo o cansaço dela. Ela tenta esconder, mas eu não sou cego. E o mais revoltante é que nós não vivemos acima das possibilidades. Não gastamos dinheiro em luxos, nem em restaurantes, nem em coisas inúteis. É que hoje em dia em Portugal tudo ficou caro. O

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