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O meu nome é Ricardo. Tenho 34 anos. Vivo em Londres, em Tottenham (N17). Não naquela Londres que os turistas conhecem, com os autocarros vermelhos e o Palácio de Buckingham. Vivo na verdadeira Londres: prédios cinzentos, o London Overground sempre atrasado, cheiro a kebab nas ruas, chá com leite ao fim do dia, motas a acelerar e música a sair dos carros até às três da manhã. Trabalhava como técnico de instalação de redes de fibra óptica na BT Openreach. Instalávamos redes FTTH por toda a cidade de Londres, de Tottenham até Croydon. Ganhava cerca de 2.300 a 2.700 libras por mês, já depois dos impostos. Arrendava um quarto numa casa na High Road, onde vivíamos quatro pessoas: um polaco, um romeno, um ganês e eu. A renda era de 750 libras. O passe Oyster para as zonas 1 a 3 custava mais cerca de 200 libras por mês. No fim do mês quase nunca sobrava dinheiro. Ora o meu velho Vauxhall Corsa avariava na North Circular, ora chegava uma conta enorme da British Gas, e, de vez em quando, ainda precisava de ajudar a minha mãe, que vive em Birmingham. Quando tudo começou a desmoronar-se Em setembro de 2025, a BT começou a despedir trabalhadores subcontratados. Eu fui um deles. No meu último dia de trabalho entreguei a carrinha de serviço, o casaco laranja e o cartão de funcionário. Depois sentei-me no meu velho Vauxhall Corsa, no parque de estacionamento junto ao estádio do Tottenham Hotspur, e fiquei durante muito tempo a olhar para os holofotes. Telefonei à minha mãe. - Mãe... perdi o emprego. - Aguenta, filho. Tudo se vai resolver. Quando cheguei ao fundo Em outubro de 2025 apresentei o pedido para receber o Universal Credit. Enquanto o Jobcentre tratava da documentação, a renda continuava a vencer. Entretanto consegui trabalho como segurança num grande centro empresarial perto de King's Cross. Fazia turnos da noite três ou quatro vezes por semana. Ganhava cerca de 1.000 libras por mês, já depois dos impostos. Todas as noites apanhava o London Overground para Ki