LÊ ANTES DE JULGAR
Olá a todos, chamo-me João Silva, vivo em Lisboa. Tenho 38 anos e sou mecânico. Crio sozinho os meus dois filhos: o Tiago, que tem 9 anos, e a Mariana, que tem 5. Os meus filhos são a minha vida. A Mariana é uma menina alegre, cheia de energia. Mas há uns meses não andava bem. Tinha sempre falta de ar, cansava-se depressa. Os médicos, depois de muitos exames, deram-me a notícia: a Mariana tem um problema no coração. Precisa de uma operação. No hospital público puseram-nos numa lista de espera: dezoito meses. Dezoito meses. Mas o médico disse-me claramente que não podemos esperar tanto. Cada mês que passa, a situação piora. A única alternativa era a clínica privada. Custo da operação: 20.000 euros. Vinte mil euros. Com o meu ordenado de mecânico, com a renda, as contas, as compras, nunca ia conseguir. Pedi empréstimos, bati a todas as portas. A minha mãe vendeu umas joias de família. Mas não chegava. Nunca chegava. De noite não dormia. Olhava para os meus filhos a dormir e sentia-me o pai mais inútil do mundo. Nem conseguia garantir-lhe a saúde. O Tiago, o mais velho, todas as noites perguntava: «Pai, quando é que a Mariana volta a brincar comigo?» E eu não sabia o que lhe responder. Depois, uma noite, enquanto as crianças dormiam e eu ficava a olhar para o telemóvel na cozinha, apareceu-me um post no Instagram. Falava da Ginja. Pensei: «Mais uma publicidade.» Mas por baixo havia centenas de comentários de pessoas normais. Li a história de uma mãe do Porto que contava que tinha pago os tratamentos do filho. E pensei: pior do que isto não pode ficar. No dia seguinte registei-me na Ginja. Depositei 50 euros — o que podia — e ativei o bónus de boas-vindas: 1000 euros e 555 rodadas grátis. Joguei com calma. Com as rodadas grátis no Big Bass Bonanza ganhei 150 euros. Depois 280. Cada euro, guardava-o para a operação da Mariana. Continuei com cuidado, depositando no máximo 50 euros de cada vez. Não sou jogador. Sou um pai que precisava de um milagre. E depois, no