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Acordar com o peito apertado e ouvir que «os exames estão perfeitos» é desesperante. O problema não era o meu coração, mas um bloqueio silencioso que a maioria dos médicos ignora. Os médicos dizem que está tudo bem. Mas eu sei que não está. Às duas da manhã sentei-me na cama, porque algo me apertava o peito. Não doía. Não picava. Só apertava. Como se alguém tivesse posto a mão ali e estivesse a apertar devagar. Levantei-me. Bebi um copo de água. A pressão desapareceu. Voltei a deitar-me. Até de manhã não dormi um minuto. O meu nome é Maria Helena Sousa, tenho 61 anos. Durante dois anos fui de médico em médico. Todos diziam: “D. Helena, a senhora não tem nada.” Mas eu sabia que tinha. Quando o teu corpo te diz que há um problema — mas os papéis dizem que está tudo bem Primeiro começaram os formigueiros. Nos dedos, às vezes no braço inteiro. Vinham e iam, sem razão. Às vezes sentia-os no topo da cabeça, como se pequenas agulhas me estivessem a picar. Depois, numa manhã acordei e o lado esquerdo da cara estava dormente. Talvez tenha durado dez segundos. Mas nesses dez segundos pensei: “Isto é um AVC.” Corri ao médico. ECG: normal. Ecocardiograma: normal. Ressonância magnética: normal. Análises ao sangue: perfeitas. “Pode ser stress” — disse o médico. “Tente descansar.” Mas como é que descanso, quando o meu corpo todos os dias faz uma coisa diferente? Ora os olhos ficavam embaciados. Ora ouvia o coração nos ouvidos — tão forte, como se alguém estivesse a bater num tambor. Ora as pernas ficavam fracas por momentos, sem aviso. E o pior: aquela sensação de que algo terrível vai acontecer. Não é dor. Não é pânico. É só uma certeza profunda, vinda do corpo, de que vai correr mal. Isto não se consegue explicar ao médico. Porque no papel está tudo bonito. Dois anos, seis médicos, zero respostas Fui a cardiologista. Fui a neurologista. Fui a internista. Houve um que me receitou calmantes. Comecei a achar que estava a enlouquecer. Ou que inventava tudo. A minha famíl