"Dizem que o dinheiro não traz felicidade. Mentira. Naquela noite, ele chegou pra mim junto com um perfume caro e um sorriso que prometia o inferno. Era sexta-feira no Rio de Janeiro. O calor batia nos vidros dos bares, e eu —Lucas, motoboy, quebrado e cansado— só pensava em como pagar o aluguel. Aí ela apareceu. Cabelo preto, vestido vermelho, e um olhar que podia parar o trânsito na Avenida Atlântica. “Você é o Lucas, né?” —ela perguntou, encostando no balcão. “Sou sim… quem quer saber?” Ela riu, uma risada leve, quase perigosa. “Meu nome é Isabela. E eu tenho um trabalho pra você. Um que vale mais do que a sua vida inteira.” Naquela noite, ela me levou até um prédio luxuoso em Ipanema. “Fica tranquilo,” disse, com aquela voz que fazia qualquer um esquecer o medo. Lá dentro, um cofre de aço brilhava sob a luz fraca. “Você só precisa dirigir. O resto é comigo.” Eu devia ter dito “não”. Mas o som das notas de cem reais me deixou surdo. Meia hora depois, estávamos na estrada, ela no banco do carona com uma mala preta no colo. “Tá tudo certo?” perguntei. “Tá… por enquanto.” O jeito que ela disse por enquanto fez meu estômago virar. Ela acendeu um cigarro, o vento batia no cabelo dela e o cheiro de gasolina misturado com perfume me deixou tonto. “Por que eu?” “Porque você é invisível, Lucas. E invisíveis sobrevivem.” Chegamos num galpão abandonado em Niterói. Ela abriu a mala. Dinheiro. Montes dele. Verde, cheiroso, suado. “Três milhões,” disse, “metade é sua se não fizer perguntas.” Eu quase caí de joelhos. Mas antes que pudesse tocar o dinheiro, uma sirene cortou o ar. Polícia. “Corre!” ela gritou. O coração pulou pela garganta. Entramos no carro de novo, o pneu gritando no asfalto. Ela ria, sim, ria como se estivesse se divertindo. “Você é louca!” “Sou rica,” respondeu. “Louca é quem morre pobre.” Depois de uma perseguição que parecia filme, conseguimos escapar. Paramos numa rua vazia, só o som distante do mar. Ela se virou pra mim e disse: “Agora você esc